quinta-feira, 10 de julho de 2008


A história da Educação Física


Os objetivos e as propostas educacionais da Educação Física foram se modificando ao longo dos últimos anos, e todas as tendências, de algum modo, ainda hoje influenciam a formação do profissional e suas práticas pedagógicas. Na Educação Física, assim como em outros componentes curriculares, não existe uma única forma de se pensar e implementar a disciplina na escola.
Difícil não falarmos um pouco da história da Educação Física, é lá que se começa tudo para entender-mos um pouco melhor. A introdução da Educação Física nas escolas do Brasil se deu em 1851, com a reforma Couto Ferraz, embora a preocupação com a inclusão de exercícios físicos, na Europa, remonte ao século XVIII. Em mudanças realizadas por Rui Barbosa, mais ou menos em 1882, houve uma recomendação para que a ginástica fosse obrigatória, para ambos os sexos, e que fosse oferecida para as escolas normais. Essas leis foram cumpridas em parte do Rio de Janeiro ( capital da República ) e nas escolas militares.
Somente a partir da década de 1920 os outros estados da federação inserem as reformas propostas e encere na Educação Física, com o nome de ginástica.
A concepção da época na Educação Física era a Higienista e Militarista, que tinham como preocupação principal os hábitos saudáveis de higiene e saúde, valorizando o desenvolvimento d físico e da moral, a partir do exército. Com função de sistematizar a ginástica na escola, aparecem alguns métodos ginásticos. Os principais foram propostos pelo sueco P.H. Ling, pelo francês Amoros e pelo alemão Spiess. Eles propuseram algumas propostas que valorizaram a ginástica na escola.
No modelo militarista, os objetivos era a formação de uma geração que fosse capaz de suportar o combate, a luta, para atuar na guerra, por isso, era de extrema importância selecionar os indivíduos perfeitos fisicamente e excluir os chamados de incapazes. Ambas as concepções consideravam a educação física uma prática, não considerando assim necessário ter uma fundamentação teórica para dar suporte.
Com o início da década de 1960 e instalação da ditadura no nosso país, a educação física toma um outro rumo. O sucesso da Seleção Brasileira de Futebol em duas Copas do Mundo, levou à associação da Educação Física escolar com o Esporte, especialmente o futebol. Em 1964, o governo militar investe pesado no esporte na tentativa de fazer da Educação Física algo que sustente sua ideologia, na medida em que ela participaria na promoção do país através do êxito em competições de alto nível. É nessa fase da história que o rendimento, a seleção dos mais habilidosos, o fim justificando os meios está mais presente no contexto da Educação Física na escola. O modelo esportivista, também chamado de mecanicista, tradicional e tecnicista, é muito criticado pelos meios acadêmicos, principalmente a partir da década d 1980, embora essa concepção ainda esteja bastante presente na sociedade e na escola.
Na concepção Recreacionista, assistimos um modelo no quais os alunos é que decidem o que vão fazer na aula, escolhem o jogo e forma como querem praticá-la, e o papel do professor se restringe a oferecer uma bola e marcar o tempo. Praticamente o professor não intervém. Esse modelo, algumas vezes chamado de recreacionista, aconteceu por duas razões: primeiramente, porque o discurso passou muitos anos discutindo o que não fazer nas aulas de Educação Física, e não apresentando propostas viáveis e exeqüíveis para a prática; o outro fator diz respeito à falta de políticas públicas que facilitem de fato o trabalho do professor, como principalmente, apoio às ações de formação continuada.
Durante a década de 1980, a resistência à concepção biológica da Educação Física, particularmente no Ensino Fundamental, levou à crítica em relação ao predomínio dos conteúdos esportivos. Essa resistência foi influenciada por pesquisas no campo pedagógico e na área científica da Educação Física. Atualmente, existe na área da Educação Física várias concepções, todas elas tendo em comum a tentativa de romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional. São elas, Humanista, Fenomenológica, Psicomotricidade, baseada nos Jogos Cooperativos, Cultural, Desenvolvimentista, Interacionista-construtivista, Crítico-superadora, Sistêmica, Crítico-emancipatória, Saúde Renovada, baseada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs/ Brasil,1998) e outros.
A abordagem crítico-emancipatória é um dos desdobramentos da tendência crítica e valoriza a compreensão crítica do mundo, da sociedade e de suas relações, sem a pretensão de transformar esses elementos por meio escolar. Assume a utopia que existe no processo de ensino e aprendizagem, limitado pelas condicionantes capitalistas e classistas, e se propõe a aumentar os graus de liberdade do raciocínio crítico e autônomo dos alunos. Do ponto de vista das orientações didáticas, o professor confronta, num primeiro momento, o aluno com a realidade do ensino.
Esse mesmo sentido se expressa na contextualização dos temas compreendidos pela Cultura Corporal: jogo, esporte, ginástica, dança e capoeira. São esses elementos culturais que constituem os conteúdos para a abordagem crítico-emancipatória. Ela propõe que seja ensinado por meio de uma seqüência de estratégias, com as seguintes etapas: encenação, problematização, ampliação e reconstrução coletiva do conhecimento.
A encenação consiste na manipulação e exploração direta das possibilidades e propriedades dos recursos didáticos, bem como das próprias capacidades e possibilidades dos alunos no papel de descobridores e inventores de diferentes estratégias. A encenação pode possibilitar vivências socioemocionais de forma comunicativa e a interpretação de diferentes papéis na forma de dramatização. Essa etapa enfatiza e interesses vinculados ao contexto social e político das manifestações culturais.
A problematização consiste no confronto e na discussão das diversas situações de ensino levadas a efeito pela encenação. Deve acontecer em um nível raciona de entendimento, por meio da linguagem e da ação, não denunciando apenas as contradições e conflitos inerentes à realidade, mas oferecendo possibilidades de entendimentos e consensos.
A ampliação consiste no levantamento de dificuldades verificadas nas ações, assim como na apresentação de subsídios que ampliem a visão dos temas vivenciados. Finalmente, a reconstrução coletiva do conhecimento consiste em uma nova atribuição de significado ao conteúdo, utilizando análises e dimensões das etapas anteriores. Destina-se, sobretudo, à emancipação, autonomia e transcendência dos alunos em face do conteúdo trabalhado.
Essas estratégias didáticas devem permear todo o processo pedagógico, culminando na auto-avaliação do envolvimento objetivo e subjetivo para os alunos.
Em umas das leituras que fiz de Knuz, ele defende o ensino crítico, pois é a partir dele que os alunos passam a compreender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados da sociedade, os mesmos que formam falsas convicções, interesses e desejos. Assim a tarefa da Educação Física crítica é promover condições para que essas estruturas autoritárias sejam suspensas e o ensino encaminhado para uma emancipação, possibilitada pelo uso da linguagem, que tem papel importante no agir comunicativo.
Quanto às funções da escola, a escolarização tem algumas intenções que nem sempre são explícitas para os participantes diretos no processo de ensino e aprendizagem. Alunos e professores talvez desconheçam a importância que a escola possui como espaço privilegiado para potencializar transformações sociais.

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